
Era uma tarde de sol, mesmo cenário de tantas outras atrás, porém agora com a ausência de um personagem, o que tornava a ocasião especial e única. Em sua mente passavam todos os abraços dados em tardes como essa, os cabelos embaraçados de um cafuné e o gosto doce dos beijos trocados.
O quarto ainda tem o cheiro dele e a matinal refeição das 3h não é a mesma sem sua divisão maluca da mesa e sua risada preenchendo a cozinha. Qualquer musica o trazia na mente e os planos se tornaram desnecessários sem sua presença.
Ela saiu da sua zona de conforto, ele era seu porto e agora ela navega em um mar infinito, esperando ouvir as batidas no portão para que seu frágil barquinho encontre abrigo novamente, a nova rotina é totalmente diferente de todas as tardes que existiram, não há mais horas e horas conversando ou simplesmente embolados em um abraço, não há refeição da 3h, fazer planos se torna cada vez mais difícil. Tempo a sós é raro, o contrário do que era.
Em meio a esse turbilhão de mudanças, tenta se acostumar e até faz planos, mas quando o relógio impõe sua sentença ela se vê novamente a deriva, revelando nos olhos a tristeza da provável partida que virá em seguida, e em seu íntimo fechava o portão desejando ser um sonho no qual acordaria embalada por braços quentes numa tarde de sol, como costumava ser.