
Escuto teu coração bater, bem ao pé do meu ouvido encostado em teu peito. A verdade é que não sei distinguir a qual de nós dois pertence o som, pois a similaridade se transforma em singularidade, como se por um instante nossos corações tivessem unidos para dançar a música da noite caída sobre o quarto.
Entre essas paredes, não cabe o que sinto por ti, não cabe a sensação morna de aconchego, que teu peito traz junto ao meu, não cabe o silêncio cheio de palavras que deixo de te dizer… mesmo assim, sinto, e por sentir, não caibo em mim, muito menos neste quarto. Desejo transbordar todo o afeto em mim, que te pertence.
E transbordo. Silenciosamente.
Traço na tua pele com a ponta dos dedos, as mais importantes palavras, nunca ditas por nenhum de nós.