Querida infância

by Fernanda Vieira

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Crescer parece bem legal aos olhos de quem mal sabe amarrar o cadarço do tênis. Crianças ingênuas que não sabem o que dizem, um dia irão crescer, e sentir o peso da responsabilidade, a maldade das pessoas, a decepção, o coração vazio. Quando enxergarem que sonhar é mais que fechar os olhos, que amizades nem sempre são verdadeiras e que nem tudo é para sempre. Desejarão voltar naquele parquinho onde a maior preocupação era brincar.

E ao encontrar o amor, acharão por um instante que pegar a mão do outro é suficiente, mas o tempo irá cuidar de revelar a verdade. Talvez seja, ainda, mágico e sublime, contudo a perfeição não existe, e a frustração junto com o vazio, irá habitar o seu ser, vez ou outra.

Críticas virão com o sentimento de incapacidade, e as antigas crianças pensarão que nunca deveriam ter desejado crescer, e que por mais doloroso que fosse um joelho ralado, a dor era suportável e passageira.

Mas, agora crescidas sabem que o tempo não poupa ninguém e mesmo não desejando ser o que são hoje, se tornariam mesmo assim.

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