ME

by Fernanda Vieira

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Hoje terminei de ler um livro e fiquei pensando sobre a protagonista dele. Uma menina que tem TOC(Transtorno Obsessivo Compulsivo), ela se queixa de não conseguir sair da sua mente denominando-a uma prisão. Isso compromete sua amizade, pois ela nem sabe o que os pais da amiga fazem da vida, ela não consegue se interessar no mundo ao redor além dela mesma. Antes de julgar, lembre que para ela não existe escolha.

Tomando para mim, é totalmente o contrário sabe? Na verdade eu não consigo não me interessar pelo mundo ao redor, é como se eu só fosse completa se me envolver com o externo, se tiver alguma força externa atuando sobre mim. E é um saco não ser saber olhar para si, sei que é importante todo esse lance de empatia, mas acho que tenho de sobra.

Acordo dependendo de um “Bom dia” para que meu dia comece completo, mas qual o conceito da palavra: completo? Honestamente te digo que eu particularmente nem sei, nem para os outros nem para mim, é como se usássemos muitas coisas que nem sabemos direito o significado pessoal delas, só porque nos foi apresentado certo dia por aí. E “Nossa que palavra maneira, vou usar pra sempre”, pronto, enfiamos a tal palavra em tudo que é canto até sermos questionados por isso, nesse momento ficamos totalmente desconcertados e com todas as fichas caídas nas mãos.

Posso dizer que as minhas mãos estão cobertas de fichas agora, e é difícil estar escrevendo isso, mas nem sempre contamos vitória sobre coisas gloriosas, não é hora de contar outro lado da história? No fim das contas não arranca pedaço nenhum admitir certas coisas. Sumi daqui pois sem um público formado, teoricamente eu escrevo para ninguém (como eu pensava), mas hoje, várias horas sozinha em casa e conversando com quem já era estranho a muito tempo, ouvi uma frase “Cuide de você em primeiro lugar”.

Pensei por um longo momento e minhas fichas caíram que ao contrário da protagonista do livro, eu tenho escolha, e posso acordar de manhã e ser meu próprio “bom dia completo”, pois sem mim não existiria eu, não é mesmo? Sou bem importante mesmo, e vou tentar me permitir entrar nessa bolha, aliás, não vou mais permitir que ninguém me tire dela por motivo nenhum. Mesmo que ninguém leia meus monólogos aqui, vou continuar escrevendo para mim mesma, se eu não manter uma conexão comigo mesma primeiro, quem vai né.

A partir desse monólogo eu espero começar uma nova fase na minha vida que me renda muitos frutos bons, e mesmo que exista os ruins que venham acompanhados com aprendizado.

Todos falam sobre fazer uma carta para si mesmo, e ler no futuro. Então acho que acabo de escrever a minha e quando um “eu” do futuro ler isso, pelo amor de Zeus, VOCÊ É O SEU BOM DIA COMPLETO, sejá lá o que isso signifique na época, desde que no melhor sentido.

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