Amor de borboleta

by Fernanda Vieira

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Lá fora a chuva caía, da janela se via gota a gota tocar o chão, vez ou outra lhe molhava o rosto, mas ela não se importava. Chuva é sinônimo de frio, frio é sinônimo de solidão, em dias assim o melhor a fazer quando se está só, é imaginar... Ela imaginou.

Um dia ensolarado, daqueles que a cor até parece meio rosada e que tudo transpira felicidade, o vento faz dançar as folhas das árvores, as borboletas beijam as flores e se vão, um amor lindo de se vê, porém passageiro... debruçada na janela ela se perguntava em qual dessas primaveras aconteceria o inimaginável, quando sua barriga congelaria e tudo ao seu redor pararia, no ar somente existiria o som de sua respiração acelerada e o seu olhar veria apenas um outro olhar, sorridente que estaria a sua espera do outro lado do jardim e ao contrário das borboletas que vem e vão, ele ficaria. Chegaria tímido e conversaria atrapalhado sobre como as flores estão belas e ela fecharia os olhos embalada por sua voz trêmula e doce. Após alguns dias seus dedos se tocariam até estarem completamente postos em um laço em que jamais imaginariam formar, alguns passos acanhados de mãos dadas talvez... e ele até poderia apanhar uma flor para ela, que sorriria boba e sem graça com o pequeno gesto. Dentre todas as outras que poderiam estar por ali caminhando, ele somente teria olhos e atenção para ela e mesmo existindo inúmeros motivos para que estivesse em qualquer outro lugar ou abraçado com outro alguém, escolheria estar sempre ali e somente naquele abraço.

Recitaria poemas curtos em um tom galanteador, ela riria e lhe recompensaria com um beijo e faria elogios bobos, assistiriam a muitos filmes juntos, trocariam presentes em datas especiais e fora delas também, surpreenderiam com gestos pequenos mas que saberiam que o outro não estava esperando.

Ele leria o romance favorito dela só para apoiar o quanto o casal era perfeito, ou quanto o final foi injusto, mesmo que isso não lhe importasse muito, mas que seus olhos se iluminariam ao ver o belo sorriso brotar em seus lábios quando o ouvisse falando sobre o livro.

Ela arriscaria no skate para que pudessem andar juntos pela calçada, talvez uns tombos aqui e ali, mas ela sabia que ele estaria lá para ajudá-la.

E no fim do dia se despediriam com um beijo e um “até logo” já fazendo planos para o dia seguinte, a semana seguinte, o mês seguinte, quem sabe uma viajem ou pic-nic?

Não importava, só precisavam ficar juntos e durar mais que o amor das borboletas com as flores e que fosse o sereno mais suave que pudesse existir, caindo gota a gota em câmera lenta, como agora escorrendo ali do lado de fora da janela marcando o fim de mais um espetáculo.

Sua imaginação foi longe e agora já é noite... hora de dormir... e sonhar... talvez... porque não com um amor que dure mais que o amor das borboletas e as flores?

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